A trilogia de Yuval Noah Harari

O historiador israelense Yuval Noah Harari é certamente um dos mais lidos intelectuais da atualidade. Autor dos best sellers “Sapiens: uma breve história da humanidade” (2015), “Homo Deus: uma breve história do amanhã” (2016) e “21 lições para o século 21” (2018), tem atraído a atenção dos mais variados públicos, em especial o pessoal de tecnologia.

A fórmula parece ser simples: história contada e contextualizada com linguagem acessível a não-historiadores e filósofos, aliada a uma boa dose de futurologia bem fundamentada.

Quando soube de Sapiens fui imediatamente atraído pelo título. Em geral estamos acostumados com histórias sendo contadas de uma perspectiva muito humana, quer dizer, com os nossos conceitos e pré-conceitos sobre como tudo deve funcionar. Na minha opinião, talvez a maior riqueza do livro Sapiens seja ter dado um passo atrás, nos apresentar uma perspectiva histórica mais isenta (ainda que não perfeitamente isenta) sobre esse organismo, um macaco social super-inteligente e “amostrado”, que se auto-intitula “Sapiens”. E ainda assim “humanizá-los”: a pré-história normalmente nos fala desses “homens primitivos”, esquecendo seus sentimentos e pensamentos, o que o livro faz bem. Bastante atrativo.

O livro Sapiens sintetiza as relações entre as espécies humanas, dentre elas a nossa, e os momentos revolucionários do Homo Sapiens, iniciando pela revolução cognitiva até culminar na revolução científica, que é a mais recente e que molda a evolução do mundo humano hoje. Com o avanço científico, de acordo com Harari, nos tornamos uma espécie de deus, capaz de definir o destino do planeta e dos demais seres, mas não apenas isso: capaz de redefinir nossa própria espécie e criar novos seres inteligentes, através da biotecnologia e da inteligência artificial, respectivamente. É a “bola levantada” para o próximo livro da série: Homo Deus.

Em Homo Deus Harari entra nos detalhes da revolução científica, onde se inclui a revolução industrial, que nos colocou em outro patamar de aceleração econômica, paz mundial, mais saúde e um ciclo virtuoso de geração de conhecimento. O lado sombrio de todo este desenvolvimento, segundo o autor, já se faz evidente hoje, em um mundo orientado a dados, onde nós somos o “produto”. Segundo Harari, a distopia deve se tornar ainda maior, pois os avanços na inteligência artificial poderão criar um cenário de crescimento econômico com baixa ação humana, o que criaria uma população de “irrelevantes”, além dos avanços que veremos na engenharia genética e outras biotecnologias, projetando um futuro brilhante… para uma pequena elite de super-humanos.

No terceiro livro da série, Harari se permite dar mais opiniões sobre como podemos lidar com nossos problemas. São 21 lições derivadas de um compilado de artigos e palestras do autor, totalmente relacionadas aos dois livros anteriores, mas trazendo outros elementos importantes, como terrorismo, nacionalismo e religião. No final, talvez a dica mais importante de Harari com a qual me identifiquei bastante, é a de se conhecer melhor do que os algoritmos. A técnica que ele recomenda, a partir da experiência dele, é a da meditação, a qual tenho usado algumas vezes ao longo do tempo, mas que me despertou para fazer uso mais frequente dela. Durante a escrita deste livro ainda não tínhamos entrado na pandemia do coronavírus, por isso nada relacionado a este ponto é mencionado, mas certamente o seria se à época tivéssemos alguma ideia desse risco biológico.

Recomendo a leitura dos livros. Aprendi bastante com a inteligência e visão diferenciada de Harari sobre o passado, suas ideias do como será nosso futuro, e as perguntas cabulosas que teremos de responder para construir uma ponte que leve um futuro de prosperidade para todos.

Trilogia de Yuval Harari: Sapiens, Homo Deus e 21 lições para o século 21.

Yuval Noah Harari esteve no programa Roda Vida em 2019. A entrevista foi interessante. Assista abaixo:

Um comentário

  1. Muito bom, Marcelo! Obrigado pela indicação. Eu não o conhecia, nem suas obras, vou ficar atento. Sobre o tema de meditação, eu também tenho experimentado dessa técnica de auto-conhecimento. Um professor de meditação que acompanho costuma falar “você está sempre dependente e junto do seu celular, mas você está sempre atento e junto do seu próprio corpo a todo hora?”. Parece uma advertência balela, mas “ligar o automático” nas nossas vidas tem custado muito caro. Obrigado! Abraço!

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