2011: Esperanças renovadas?

Não gosto da palavra “esperança”. Tem a ver com “espera”, e espera tem muito mais a ver com inércia do que com trabalho. Curiosamente, o que mais temos feito desde a descoberta dessas maravilhosas terras, nós que aqui nascemos e criamos identidade espiritual com esta linda pátria, é esperar pela paz no futuro, apesar de não termos glória no passado. Contudo, somos uma democracia: três poderes e 200 milhões de impotentes “desesperados cheios de esperança”. Claro, cada país tem o governo que merece: um país de gados, por sua vez, é liderado naturalmente por boiadeiros.

Cá estamos nós de novo, renovando nossas esperanças frente a mudanças que mais são determinadas “pelos astros” ou pelo acaso do que por qualquer consciência livre que por aqui habite e contribua. Tivemos o primeiro líder executivo que veio da miséria e da classe trabalhadora (pelo jeito as outras não trabalham), contrariando nosso histórico de presidentes. Agora, mais uma outra novidade: a primeira presidente mulher, contrariando ainda mais nossa história (apesar de estar em moda no ocidente).

Se eu tivesse a oportunidade de conversar sobre problemas políticos, cara-a-cara, com meu mestre para assuntos cotidianos, Gurdjieff, poderia até levar um “tabefe” da cara. No melhor dos casos ele me faria uma careta bem feia. Pessoas tão bagunçadas interiormente, como nós, escravizadas pela sua ignorância (não apenas intelectual, mas também consciencial), não podem fazer nada sem ajuda dos deuses. Mas como diz Cida, os deuses devem estar “cagando mole” pra gente. Então, vai ter que ser na base do acaso, das diferenças interessantes emergentes em nossa sociedade que, em se colocando em postos de liderança, são capazes de, apesar de não resolverem o problema essencial, que é o da consciência, dar um input energético suficientemente grande para tirar da letargia sócio-psicológica grande número de pessoas. É o caso, por exemplo, de Julian Assange. Nacionalmente, este foi Lula, “agora é Dilma”!

Parece que pela primeira vez vale à pena esperar. Nosso presidente falou tanto “nunca antes na história desse país” que até parece que daqui pra frente tudo vai ser diferente. Eu tenho a intuição de que vai mesmo. Eu tenh0 a impressão real de que nunca antes na história desse país valeu à pena esperar, isto é, ter esperanças. Parece que há mais brasileiros que melhoraram de vida do que brasileiros que pioraram de vida neste últimos tempos. O Brasil começa a prosperar industrialmente, alguns setores exportam bastante produtos/serviços de alto valor agregado.

Além dos benefícios que não produzem um país mais educado, mas que matam a fome de milhões de pessoas, essa promessa de prosperidade me faz pensar que outros milhões irão sair da miséria por meio do trabalho. Já que não se dá jeito na educação pública (não quero estragar o discurso esperançoso com mentiras ou ilusões em cima da educação de base), os filhos desses milhões de empregados poderiam ter acesso à educação privada e prosperar mais ainda. Isso daqui a 20 ou 40 anos.

Não costumo ser tão positivo, porque sinceramente a realidade humana, apesar de bela, é socialmente trágica. Há muitos riscos. Esses períodos de mudança sempre costumam desbancar líderes poderosos no mundo, que usam suas últimas opções, as bélicas, com desculpas facilmente forjadas a partir das relações internacionais conflituosas, para justificarem a continuidade de suas ditaduras capitalistas ilusoriamente democráticas. Mas um dia essa realidade terá de ser enfrentada, e nós, os mesmos de outrora e os mesmos do futuro próspero ou fracassado, em espírito, genes ou memes, teremos de aceitar os resultados de nossas escolhas, com todas as baixas e altas derivadas.

Penso que o Brasil, apesar dos problemas sócio-psico-físico-conscienciais (como diria um humanista sério e responsável), tem a chance de tomar posição de liderança no mundo. Uma janela de oportunidade está se abrindo. Tudo está mudando: relações diplomáticas (Wiki Leaks), clima (aquecimento global), política (primeira presidente mulher), indústria (promessas de prosperidade), ciência e tecnologia (promessas de produção de tecnologia para o “novo mundo” que surge), etc. E o Brasil tem muito a oferecer.

Apesar de ter inicialmente criticado a esperança, mas posteriormente dizer que podemos voltar a ficar esperançosos, volto novamente a criticá-la para concluir meus votos de felicidade em 2011 para todos (e todas – não podemos, a partir de 2011, falhar na equidade de gênero!). Finalmente critico, porque a esperança nunca produziu um melhor Brasil para todos nós, quer dizer, não apenas ela.

A minha esperança pessoal, isto é, o que eu sinceramente espero, é que possamos, apesar das decepções políticas e sociais inevitáveis, ser donos de nossos próprios destinos, mesmo com as prováveis gargalhadas que Gurdjieff daria escutando esta minha última frase. Esse é o objetivo que tem que ser desdobrado em metas de intenso trabalho, dentro de nossas possibilidades locais. Por ora é sonho e pura esperança, pois não tem cronograma (como diria o Professor Fernando Buarque). O cronograma, contudo, não tem que estar na mesa dos nossos governantes, mas nas nossas.

Apenas um câncer (i.e. células diferentemente programadas que se espalham localmente) social pode mudar o rumo desta nossa sociedade. Meu convite é, portanto, para nos tornarmos células cancerígenas, obviamente iniciando programas pessoais que nos torne melhores pessoas e mude nosso entorno para melhor. Vamos aproveitar a oportunidade não esperando, mas fazendo acontecer. São meus melhores votos para 2011!

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