Serei pai!

A gravidez de Cida tem me trazido reflexões importantes, especialmente sobre a responsabilidade de ser parte relevante do processo educativo de uma nova velha alma que na Terra encarna. Quem será este que chamarei de “meu filho”? Sempre tive a impressão de que quando chegasse o momento de ser pai, a Natureza me mandaria uma alma velha, experiente, que me ensinasse muito mais do que aprendesse comigo. Dado o cenário cósmico atual, especialmente pras bandas do nosso sistema solar, mais particularmente neste planeta que passa por transformações de várias ordens, há uma grande probabilidade disto ser verdade. Em verdade, isso me assusta. Uma das coisas que penso com alguma frequência: que direi para meu filho quando eu tiver que ensiná-lo algo que nem eu mesmo cumpro fielmente? Dizem que o exemplo é o melhor professor; no entanto, me deparo com uma realidade psicológica interna necessitada de tantos reparos, que ensinar soa vergonhoso.  Bom, não é diferente para todas estas crianças – psicologicamente se falando – que habitam a Terra.

Por isso,  nas próximas 9 luas novas… digo, 6 luas novas, pois 3 luas já se passaram… estarei me preparando para trazer meu filho à luz, ou, para ser mais exato, parafraseando João evangelista, “trazer a Luz às Trevas”, mesmo que as últimas não reconheçam a primeira. É claro que daqui pra lá há ainda um caminho a percorrer: embora eu espere o melhor, “o futuro a Deus pertence”, como diz o ditado popular. Mas desde já meu ego assina um contrato de suicídio lento e gradual, beneficiando (liberando) minha consciência para que eu possa prover ao pequenino uma educação de tipo superior. Oxalá esteja eu à altura do trabalho hercúleo de ser um bom pai!

À parte da responsabilidade espiritual inerente ao evento, pode-se dizer que é um feliz evento. Há um reforço biológico, bem como um reforço cultural, que incentiva seres humanos a crescer e se multiplicar. Quero declarar claramente que há uma lei natural que obriga homens e mulheres “zumbis” a se multiplicar. Há vários tipos de homens, de acordo com a classificação proposta por Gurdjieff, a qual estou de pleno acordo. Mas falo de uma felicidade superior, somente possível após algumas tentativas de sucesso na cristalização de um centro de consciência. Nestas condições, ser pai assume um significado completamente diferente, deixando de ser fruto do acaso natural. Nestas condições, homens e mulheres não se cruzam e geram novos homens e mulheres com o propósito de se cruzarem, mas são portadoras de um sentido espiritual profundo que traz, inevitavelmente, uma felicidade original. Aliás, “felicidade original” é o subtítulo do pentagrama que Cida gravou para sempre em suas costas, na altura do chacra cardíaco, simbolizando o equilíbrio dos centros no “homem de verdade”, aquele que não é fruto do acaso e, no caso dela em particular, que fundamenta suas ações no Amor.

Queira o Pai de todos nós que você, caro leitor, seja um pai ou mãe de verdade. Estes papéis se embebedam da personalidade mundana assumida, egoísta ou de consciência liberta, definindo um caminho de experiências para o ser o qual foi confiado dormir em nossos colos. Há que se embebedar, portanto, de consciência profunda, de forma que as experiências sejam sempre libertárias no sentido do Bem.

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2 comentários

  1. Caro Marcelo,
    Acredito que esse deva ser um momento de muita ansiedade, aflição e um pouco de insegurança. Educar um filho e prepará-lo para viver em um ambiente cada vez mais hostil não parece ser uma tarefa fácil. Entretanto, apesar das adversidades inerentes ao ambiente, eu não tenho dúvidas de que você será um excelente pai e amigo. Em uma sociedade de valores deturpados onde o egoísmo governa as ações, seu filho já é uma pessoa de bastante sorte por tê-lo como pai. Todas as coisas boas que aconteceram a vocês nos últimos meses é apenas um reflexo das suas ações. E quem sabe também não seja uma demonstração do senso de justiça do universo? 🙂
    Parabéns! Tudo de melhor para você, Cida e Miguel Ângelo.
    Forte abraço

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    • Hugo, sem dúvida é um momento de tensão, mas é, sobretudo, um momento de muita alegria!

      Uma coisa garanto: não vai faltar amor para esta criança. E, sinceramente, espero aprender bastante com ele, talvez mais do que ele comigo… Não sou esse poço de virtudes que você pintou! 🙂 Enfim, farei o melhor que posso (talvez até o que não posso).

      Obrigado pelos votos de felicidade. Tudo de melhor para você e os seus também, Hugo! Forte abraço.

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